Câmara
Municipal de Montalegre, Ecomuseu de Barroso e junta de freguesia de
Ferral, realizam a 7 de Julho a festa da Ponte da Misarela. Regressa a
magia a um dos locais mais míticos do concelho de
Montalegre.
PROGRAMA
09h00
- Concentração de caminheiros (Campo de jogos de Vila
Nova)
10h00
- Inauguração do Trilho Misarela - Entre Cávado e
Rabagão
10h30
- Início da caminhada
14h00
- Abertura da feirinha tradicional
17h00
- Apresentação da Tuna Universitária do Minho
19h00
- Atuação da Tuna Universitária do Minho (Ponte da
Misarela)
22h00
- Representações das lendas "Ponte do Diabo" e "O Batismo" (Ponte da
Misarela)
23h30
- Desfile da Tuna Universitária do Minho
24h00
- Animação com DJ José Araújo aka Zé Mix
LENDA
«Conta-se
que há muitos anos, entre duas aldeias, Frades e Vila Nova, os moradores
sentiam a necessidade de construir uma ponte, que serviria de passagem não
só para eles mas também para os seus animais.
Após terminar,
regressaram satisfeitos às suas casas. No dia seguinte, qual não foi o
espanto, quando viram a ponte derrubada. Mas isto não foi motivo para
desistirem e logo a reconstruíram novamente. Desta vez, enquanto a
construíam, a ponte começou a estalar, a estalar, até que acabou por cair.
Então as pessoas disseram umas para as outras:
– Isto só pode ser
artimanha do diabo.
E de repente ouviram uma voz alta dizer:
− Nunca
conseguireis segurá-la em pé.
Aflitos, correram a contar ao padre da
freguesia o que ali se tinha passado. O padre, surpreendido e num tom
animador, disse:
– Homens, voltai a reconstruí-la, porque desta vez não
vai cair.
Pela trigésima vez, a ponte iria ser reconstruída, mas desta
vez o padre acompanhou-os, levando um pão benzido debaixo do capote.
Quando foi colocada a última pedra, a ponte começou a torcer-se, dando
sinais de que iria cair. Então o padre lançou o pão a rebolar pela ponte e
disse:
– Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
O diabo, ao
ouvir as palavras de Deus, fugiu e a ponte ficou sempre torta como se
tivesse o ombro do diabo marcado quando estava a empurrá-la.
Não só
aconteceu o milagre do pão como também desde esse dia outro milagre
aconteceu: que é o de salvar os filhos das mães que tanto os desejavam e
que nunca conseguiram dar-lhes vida, pois estes nasciam mortos após os
seis ou sete meses de gravidez.
Uma mulher que já tivesse passado pela
situação descrita e estivesse novamente grávida, deveria ir até à ponte da
Misarela levando consigo dois acompanhantes e deveriam à meia-noite em
ponto estar em cima do arco da ponte. Os acompanhantes teriam de se
colocar um em cada entrada da ponte para impedirem que nenhum animal
passasse, ainda que fosse um rato, pois se assim fosse o milagre não se
realizava.
A mulher grávida e os acompanhantes teriam de esperar em
cima da ponte até que alguém passasse para baptizar a criança ainda dentro
da barriga da mãe. Para o baptizado, levavam um jarro e uma corda comprida
e, quando aparecesse a primeira pessoa, pediam-lhe para ser o padrinho ou
madrinha da criança.
Então o padrinho ou a madrinha teriam de cortar ao
lado da ponte um ramo de oliveira. De seguida lançava o jarro preso na
corda abaixo da ponte e com a água que conseguisse colher molhava o ramo e
fazia uma cruz na barriga da mãe dizendo:
Eu
te baptizo
em nome do Pai,
do Filho,
e do Espírito
Santo.
Se
fores rapaz,
teu nome será Gervás;
e se fores rapariga,
teu nome
será Senhorinha.
Pelo
poder de Deus
e da Virgem Maria,
um pai-nosso
e uma
avé-maria.
Após
o baptizado, regressavam a casa e dali a nove meses o bebé nascia com
saúde. E não só nascia o primeiro filho como também outros que o casal
desejasse sem necessidade de um tratamento
hospitalar».